Especiais - Escrito por Daniel Liidtke em outubro 22, 2007 5:50 - 2 Comentários
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Cores: Cor é a identidade das estrelas
As estrelas brancas da bandeira brasileira refletem um pensamento comum à população: todas as estrelas são brancas. Acontece que esses astros também podem ser avermelhados, alaranjados ou mesmo azulados. Essas tonalidades são, geralmente, difíceis de serem percebidas a olho nu. As cores, entretanto, além de embelezarem o espaço, transmitem informações sobre as estrelas, como temperatura, [...]
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As estrelas brancas da bandeira brasileira refletem um pensamento comum à população: todas as estrelas são brancas. Acontece que esses astros também podem ser avermelhados, alaranjados ou mesmo azulados. Essas tonalidades são, geralmente, difíceis de serem percebidas a olho nu. As cores, entretanto, além de embelezarem o espaço, transmitem informações sobre as estrelas, como temperatura, massa e até idade.
Frias ou quentes
Segundo o astrônomo Roberto Costa, do Departamento de Astronomia do IAG/USP, as cores das estrelas são uma medida de sua temperatura superficial. Assim como um ferro colocado no fogo vai esquentando e passando do vermelho escuro para vermelho vivo, depois para laranja, amarelo e branco, a temperatura das estrelas indica a sua temperatura. “As mais quentes são de cor azul ou branco-azuladas, com temperaturas entre 40.000 e 20.000 graus Celsius”, explica Costa.
“Após as branco-azuladas, seguem-se as brancas (com temperatura ao redor de 10.000 ºC), as branco-amareladas (com temperatura ao redor de 8.000 ºC), as amarelas como o sol (com temperaturas em torno de 6.000 ºC), as alaranjadas (com temperatura ao redor de 4.000 ºC) e as vermelhas (com temperatura ao redor de 3.000 ºC)”, classifica o astrônomo.
Costa, todavia, salienta que estes valores se referem sempre à temperatura da superfície da estrela. “No núcleo, onde a energia é produzida, as temperaturas são ao redor de 15 milhões de graus Celsius”, esclarece ele.
A explicação para esse fenômeno é dada por Albert Bruch, diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica. De acordo com ele, a distribuição da radiação de uma estrela como função do cumprimento de onda da luz depende diretamente da temperatura. “Desta forma, uma estrela que emite mais luz na parte de cumprimentos de ondas curtas (luz azul) do que na parte de cumprimentos de ondas longas (luz vermelha) é mais quente do que uma estrela que emite mais luz vermelha do que luz azul. Então, estrelas de cores azuladas têm temperatura mais alta do que estrelas vermelhas”, esclarece Bruch.
Pode-se comprovar isso comparando a chama azul produzida por um botijão de gás novo e a chama amarelada ou avermelhada de uma vela. Nota-se que a chama azulada é muito mais forte. Até mesmo a chama do botijão, quando fica amarelada, já não é mais tão eficiente para o preparo de alimento. Um exemplo de estrela avermelhada é a Betelgeuse, também conhecida como Alpha da constelação de Órion, que pode ser vista a olho nu próxima das Três Marias.
Grandes ou pequenas
Elenice Maria, engenheira química e formada em Cosmologia e Astrofísica Estelar pelo Observatório Nacional do Rio de Janeiro, garante que a cor das estrelas também indicam sua massa. Trata-se da relação massa-luminosidade. “Existe uma correlação direta entre a sua massa e a sua luminosidade: quanto mais massa tem uma estrela maior será a sua luminosidade”, assegura Elenice.
“Após anos de observações de estrelas binárias, os astrônomos conseguiram estabelecer as massas de diversas estrelas. Esses dados acumulados ao longo dos anos permitiram que se procurasse correlações da propriedade massa com outras propriedades observacionais, fundamentais, apresentadas pelas estrelas. Logo apareceu uma surpresa. Ao colocarem em um mesmo gráfico as massas e as luminosidades conhecidas de estrelas pertencentes à seqüência principal do Diagrama H-R, notou-se que havia uma correlação direta entre essas propriedades”, observa Elenice. Em suma, ela explica que as estrelas de maior massa são azuladas, brilhantes e quentes, enquanto que as de menor massa são avermelhadas, frias e fracas.
Costa, entretanto, salienta que as dimensões de uma estrela não podem ser determinadas exclusivamente pela cor. “Para isto é necessário uma medida de sua luminosidade intrínseca, ou seja, a luminosidade efetivamente emitida por ela. Quando vemos uma estrela da Terra sua luminosidade é dita ‘aparente’ porque depende ao mesmo tempo da luminosidade intrínseca que ela emite e também da distância que ela está de nós”, afirma.
Por sua vez, Bruch alega que, além da cor, é necessário saber a distância da estrela. “A temperatura, determinada, por exemplo, através da cor, determina a quantidade de luz emitida por metro quadrado da superfície da estrela. Medindo a quantidade total da luz que chega a Terra, e sabendo a distância da estrela, podemos calcular a quantidade total emitida pela estrela. Comparando isso com a quantidade de luz emitida por metro quadrado (através da temperatura), podemos calcular a área total da estrela e então seu tamanho”, explica Bruch.
Novas ou velhas
Por fim, a idade das estrelas também pode ser considerada a partir da sua tonalidade. Sabe-se que as estrelas mudam ao longo dos tempos, nascem e morrem depois de um processo de bilhões de anos. Como já abordado pelos especialistas, as estrelas azuladas são mais quentes, maiores e são ao mesmo tempo mais novas. As estrelas mais velhas, por sua vez, vão esfriando lentamente ao decorrer do tempo, tornando-se mais avermelhadas.
2 Comentários
jhoyce
Márcio Tonetti
Você se equivocou, Jhoyce. Este não é um site de pesquisa, mas de notícias. O objetivo não é ser um clone do Google; não competimos também com bibliotecas, como você deve ter pensado. Nosso sistema de busca é um mecanismo apenas para facilitar a localização de informações publicadas anteriormente na página.
Talvez você também não tenha navegado o suficiente para perceber que nesse espaço não se faz uso de palavras chulas, termos vulgares, para expressar opiniões.
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