Especiais - Escrito por Ellen Ribeiro em outubro 22, 2007 5:51 - 0 Comentários
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Cores: Os opostos se atraem e se repelem
Diz a lei da física que os opostos se atraem. Mas nos relacionamentos nem sempre esta regra é válida. Prova disso são os crimes hediondos e genocídios provocados pelo preconceito, como o apartheid na África do Sul, o nazismo na Alemanha e a eliminação dos armênios pelos turcos.
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Diz a lei da física que os opostos se atraem. Mas nos relacionamentos nem sempre esta regra é válida. Prova disso são os crimes hediondos e genocídios provocados pelo preconceito, como o apartheid na África do Sul, o nazismo na Alemanha e a eliminação dos armênios pelos turcos.
Quem pensa que a sociedade pós-moderna vive longe deste problema, engana-se. O preconceito está enraizado mesmo entre indivíduos eruditos. Nesta semana, a mídia repercutiu uma declaração polêmica do vencedor do Prêmio Nobel e descobridor da estrutura do DNA, James Watson. Durante uma entrevista, ele disse que se mostra pessimista com relação os projetos de desenvolvimento para a África porque estes se alicerçam no pressuposto de que africanos têm a mesma inteligência que os brancos, o que não é verdade, na opinião do cientista. O Museu de Ciência de Londres lamentou a afirmação e cancelou uma palestra que havia marcado com Watson.
Outro caso foi divulgado na semana passada. Jornais de todo o mundo noticiaram o fato de uma forca ter sido deixada à porta da sala de uma professora negra da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. E, em junho deste ano, a revista Veja também mostrou o caso de Alex e Alan, gêmeos idênticos. Um deles foi considerado pelo sistema de cotas como branco e o outro como negro.
Mesmo no século 21 ainda há racismo com relação aos negros. E o pior deles é o chamado “racismo oculto”, aquele de ordem subjetiva, subentendido. “As pessoas são incapazes de dizer para você: você é preto e eu não vou atendê-lo. Simplesmente, quando você chega a algumas lojas e restaurantes, os vendedores não lhe dão a devida atenção e fazem diferenciação devido a sua cor”, lamenta o aposentado Roberto Silva, residente em Belo Horizonte. Em alguns casos, dependendo do país ou da região, o preconceito se revela mais acentuado e explícito.
Existem empresas em que o departamento de recursos humanos tem ordens para dar preferência aos candidatos brancos. Por isso exigem fotos anexas ao currículo. Além disso, não são raros os casos em que pessoas negras foram “vigiadas” por seguranças de lojas ou restaurantes e a porta-giratória do banco travou, mesmo sem a pessoa estar com qualquer objeto metálico.
Silva já passou por situações constrangedoras. Ele conta que, certa vez, quando foi levar seu filho ao hospital chegou a ser confundido com o motorista da criança. Segundo ele, a médica o impediu e disse que só a mãe poderia entrar, mas o motorista não. Conta ainda que em outra situação levou sua filha ao médico e que ele passou o remédio sem tocá-la pelo fato de ela ser negra. Argumenta que esses são fatos corriqueiros em sua vida e que depois de 37 anos de casados, ele e sua esposa já aprenderam a lidar e conviver com essas e outras situações.
Amor sem-fronteiras
Algumas pessoas, entretanto, tentam quebrar essas barreiras . É o caso de pessoas que, a despeito das diferenças dos pigmentos da cor da pele, chegam a se casar. Para eles, é como se essa diferença de cor não existisse porque não atrapalha o relacionamento. Muito pelo contrário, a maioria tem orgulho de ter um (a) companheiro (a) de cor negra. Para a estudante do 3º ano de Educação Artística, Rosane Rodrigues, o fato de seu noivo ser negro não foi um ponto a ser considerado e sim a personalidade e o caráter.
Para alguns casais, a diferença de cor entre eles foi um aspecto positivo. De acordo com a pedagoga Paula Albino, quando ela viu seu esposo pela primeira vez, a cor dele chamou a atenção, pois ela sempre sentiu uma atração maior por homens negros. O sentimento foi recíproco porque, segundo Saulo (seu marido), ele também sempre teve atração por mulheres brancas.
Contrastes na família
E quando vêm os filhos? Como administrar a situação nestes casos? Em virtude das variações genéticas ou dos antepassados pode acontecer de um casal negro ter filhos brancos e vice-versa. Ou até mesmo quando um é branco e o outro negro podem nascer filhos de ambas as cores ou mulatos. É o caso da família Augsburger. Claude é branco, dos olhos claros e sua esposa Vera é negra. O casal tem duas filhas: Leiza e Laetitia, sendo que uma é branca e a outra negra.
Leiza revela que a sociedade em geral tem a tendência de inferiorizar a raça negra e, segundo ela, o sistema de cotas nas universidades é uma forma de oficializar o racismo. Sua irmã Laetitia conta que já aprendeu a lidar com o fato de ela e seu pai serem brancos e sua mãe e irmã serem negras. “Encaro como algo natural e aonde chego apresento a minha família normalmente”, orgulha-se.
Um fator a ser considerado entre casais de cores diferentes é a criação e educação dos filhos. Embora Saulo e Paula ainda não tenham filhos, acreditam que é essencial educar as crianças para que elas saibam como lidar com essas questões de maneira original e se orgulhem da cor, independente das diferenças.
Foi justamente desta maneira que Roberto Silva procurou educar seus filhos. Ele confessa não sentir diferença por eles terem outra cor de pele e revela que procura ter comunicação e interatividade com eles a fim de mostrar que todos são iguais.
Essa mesma atitude precisa ser mais disseminada no País. “No Brasil, infelizmente, as pessoas o julgam pela sua cor e não pela sua capacidade”, conclui.
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