Campus, Manchete - Escrito em dezembro 9, 2008 19:44 -
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Vítimas necessitam de mais doações

Raquel Derevecki
Durante todo o mês de novembro o Unasp, campus Engenheiro Coelho, esteve envolvido no projeto Mutirão de Natal, que arrecadou 15 toneladas de alimentos. Seu desenvolvimento contou com a participação da comunidade, funcionários, alunos e professores da instituição. As doações serão destinadas a 550 famílias da região e às vítimas da enchente no estado de Santa Catarina.
O projeto visava atender apenas famílias de Engenheiro Coelho e da comunidade do Unasp, mas em detrimento às enchentes no estado de Santa Catarina e das dificuldades enfrentadas por seus moradores, os dirigentes resolveram destinar parte das arrecadações para os atingidos.
“[A idéia] surgiu em virtude da catástrofe que aconteceu lá. Convencionamos dar um terço do que arrecadamos para ajudar aqueles que estão precisando”, explica o pastor Robson Menezes, coordenador do projeto.
Os alimentos serão distribuídos pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (Adra) até o dia 15 de dezembro. “A distribuição beneficiará 150 famílias do município, 400 famílias ligadas à comunidade do Unasp, e cinco toneladas de alimentos serão enviadas ao auxílio das famílias atingidas pelas enchentes no estado de Santa Catarina”, informa Menezes.
Descrição da tragédia
Nas últimas semanas os jornais e revistas se empenharam em descrever o cenário daqueles que sofrem com a situação. Para jornalista Larissa Jansson, ex-aluna do Unasp e atual moradora de Itajaí, “é vital que as doações aconteçam, pois esse é o único recurso de muita gente que perdeu tudo, e vai levar um bom tempo para se recuperar”, afirma.
Larissa aponta as dificuldades que sofreu e viu em sua cidade no fim de semana entre os dias 22 e 24 de novembro. “A sensação foi como estar em uma guerra. Nada funcionava e estava tudo alagado”, descreve. No centro da cidade, a locomoção acontecia por meio de barcos e botes dos bombeiros e voluntários. No dia 24 foi decretado toque de recolher às 22 horas pela polícia e estado de calamidade pública pelo prefeito Volnei Morastoni.
A casa de Larissa fica próxima ao rio Itajaí-Mirim. Segundo ela, as ruas ao lado dele ficaram submersas em quase dois metros de água, mas sua casa não foi atingida. Entretanto, ela sofreu outros problemas como falta de luz, água potável, meios de comunicação, e falta de acesso a diferentes locais da cidade. “A entrada do bairro ficou submersa e ninguém saía nem entrava. Além disso, ficamos sem água, sem luz por 18 horas, e as redes de celulares não funcionavam. Portanto, fiquei incomunicável”, conta.
Na avaliação da jornalista, a distribuição dos alimentos e donativos às pessoas isoladas pela água foi complicada. “Muitos moradores de Itajaí ficaram quase três dias ilhados nas lajes de suas casas ou de vizinhos sem comida, água potável ou luz. Os bombeiros, a Defesa Civil e os voluntários tiveram muito trabalho para atender a todos”, diz.
Lembranças de outra catástrofe
No entanto, não é a primeira vez que um fenômeno como esse atinge o estado. Em 1983, outra enchente prejudicou a vida de quem vivia em Santa Catarina, como lembra o pastor Paulo Martini, atual diretor geral do Unasp, campus Engenheiro Coelho, que na época era pastor em Brusque. “Naquela ocasião nós ficamos totalmente ilhados e dependemos de favores de outras pessoas”, lembra.
O apartamento de Martini situava-se no quarto andar e também não foi atingido pelas águas, mas o primeiro piso ficou submerso e todos os moradores do prédio ficaram ilhados por dois dias. “Não tínhamos como sair de casa e recebíamos alimento e água de barco, pelo Corpo de Bombeiros”, comenta.
Assim que as águas baixaram, ele e sua família tornaram-se voluntários. “Nós procuramos estender a solidariedade às outras pessoas. Visitamos a casa dos nossos irmãos, dos vizinhos, e fizemos um grande mutirão para ajudar aqueles que estavam numa situação difícil”, conta.
Doações
Quem já vivenciou experiências dessa natureza sabe da importância das doações para suprir as necessidades das vítimas de uma catástrofe. “Sentir o caos da enchente é uma situação muito desagradável. A pessoa que recebe [a doação] fica extremamente agradecida e compreende o valor e significado dessas ações”, descreve Martini.
De acordo com o relatório divulgado pela Defesa Civil do estado de Santa Catarina neste dia 9, já foram recebidos mais de 3,2 milhões de quilos de alimentos. Além disso, também há necessidade de água potável e roupas.
Mas para o pastor Robson Menezes, a solidariedade é importante em todos os momentos, independentemente da ocorrência de tragédias. “Muitas vezes o ser humano só ‘acorda’ com catástrofes. Precisa acontecer o pior para ele fazer o melhor, mas não deve ser assim. A fome é o descaso da humanidade e nós podemos mudar isso transformando uma de cada vez, começando com quem está perto de nós”, conclui.
Para obter outras informações e saber como ajudar, acesse o portal (http://www.desastre.sc.gov.br/)
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